publicado dia 14/01/2019

UBS Jardim Caiçara desenvolve projetos de saúde na região do Jardim Ângela

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Na UBS (Unidade Básica de Saúde) Jardim Caiçara, região do Jardim Ângela, o atendimento à comunidade é um grande desafio. Mas o que nem todo mundo sabe é que o local também desempenha um trabalho muito importante com as famílias dos bairros.

Andréa Emi Sakata, 47 anos, trabalha no território há 16 anos. Ela chegou como enfermeira, passou a supervisora e agora é coordenadora, gerenciando todos profissionais da saúde. Eles são divididos em sete equipes de estratégia e saúde da família, composta cada uma delas por um médico, um enfermeiro, dois auxiliares de enfermagem e seis agentes comunitários de saúde.

“Os agentes de saúde fazem a ponte entre a unidade e a comunidade”, disse Andréa. Cada profissional atende até 200 famílias por mês. A divisão do atendimento é feita por micro-áreas e todos recebem pelo menos uma visita domiciliar mensal.

Durante a visita, o agente pergunta sobre a condição da família, verifica cartão de vacina de crianças e adolescentes e também realiza trabalhos de prevenção sobre doenças como dengue e tuberculose.

Já o médico e enfermeiro fazem consultas na UBS, mas há um horário para visita domiciliar no cronograma, de um período (manhã ou tarde) por semana. “A visita do médico e enfermeiro acontece de acordo com a necessidade da família. Na reunião de equipe, às vezes o agente traz a demanda de um paciente acamado, por exemplo, ou que fez alguma cirurgia e precisa de cuidados.”

Tudo é registado em um aparelho, denominado SMART, por meio do programa SIAB Fácil, implementado em 2014 – antes o registro era realizado no papel. Lá é possível verificar informações sobre os pacientes, consultas, vacinas e exames, além se há grávidas, hipertensos ou diabéticos na casa.

“Cada família tem um protocolo específico e nós estudamos qual é a necessidade de cada uma delas, além do importante trabalho de prevenção, como identificar se há água parada na residência.”

Grupos educativos

Também como trabalho de prevenção, além das visitas familiares, a UBS organiza grupos educativos, como encontros para gestante, para planejamento familiar ou tabagismo. Além desses encontros, Andréa promove o projeto Vale Sonhar, voltado para adolescentes.

“Nós vamos até as escolas e falamos sobre sexualidade, saúde e futuro. Um dos objetivos das rodas de conversa é diminuir a gravidez na adolescência”, explicou a coordenadora. Em parceria com os profissionais da educação, Andréa considera o trabalho em conjunto de extrema importância.

Intersetorialidade

Além do vínculo com a Educação, Andréa também articula ações com a assistência social, realizando um programa de visita compartilhada. “Programamos a visita e procuramos trabalhar juntos.”

Por realizar muitas visitas e estreitar o vínculo com as famílias, o agente comunitário da saúde pode ser um forte aliado em outras áreas. Em alguns locais dominados pelo tráfico, são os únicos funcionários permitidos a entrar.

“Entendemos que nosso trabalho não aborda apenas a questão da saúde, mas também a parte social. Quando o paciente chega na unidade, olhamos toda a história por trás. Essa é a essência para um bom atendimento e assistência de saúde. Saúde e social estão totalmente ligados. Não tem como separar”, disse Andréa.

Para exemplificar, a coordenadora contou que há muitas famílias que moram ao lado de córregos no território. Muitas vezes as crianças andam descalças e se expõe a doenças. Além disso, muitas áreas são dominadas pela droga e violência, o que também impacta diretamente na saúde.

“Nosso trabalho é um trabalho de formiguinha e contínuo, mas temos visto evolução. Há quinze anos, as coisas não eram assim. Não tínhamos uma UBS próxima à comunidade. Todo dia é um dia para evoluirmos e precisamos de parcerias e articulações com outras áreas. A união faz a força.”