publicado dia 01/09/2020

Rede Peteca lança campanha contra trabalho infantil doméstico

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A Rede Peteca – Chega de Trabalho Infantil lança a campanha Previna Acidentes: Seja Contra o Trabalho Infantil Doméstico, nesta terça (1).  Com o isolamento social causado pela pandemia do coronavírus e o fechamento das escolas, o risco do trabalho infantil doméstico aumenta, uma vez que as famílias buscam outras formas de conseguir dinheiro, seja em caso de desemprego ou para aumentar a renda, quando os adultos ainda permanecem trabalhando.

Com encerramento previsto para o Dia dos Direitos Humanos, celebrado em 10 de dezembro, a campanha apresentará reportagens especiais, posts para redes sociais, lives e uma cartilha durante três meses e meio. A ideia é desnaturalizar a exploração e mostrar as consequências, como acidentes de trabalho, abuso e exploração sexual e evasão escolar.

Entre 2007 e 2017, 40.849 meninos e meninas sofreram acidentes de trabalho no Brasil, sendo 24.654 de forma grave, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde. Outras 236 crianças e adolescentes perderam a vida nesse período. O trabalho infantil doméstico expõe as crianças e os adolescentes a riscos a partir do contato com fogo, objetos cortantes, produtos de limpeza tóxicos, entre outros.

Além de mostrar tal vulnerabilidade, a campanha tem como objetivo esclarecer dúvidas – a exemplo das causas e consequências do trabalho infantil, recortes de gênero e raça e a diferença entre tarefas domésticas educativas.

Embora não haja dados oficiais sobre o aumento da exploração durante a pandemia, há relatos de profissionais da rede de proteção. É grande a probabilidade das meninas ficarem em casa cuidando dos irmãos para os pais procurarem emprego ou trabalharem para outras pessoas em troca de dinheiro ou até mesmo de comida. Mesmo quando os adultos da família estão trabalhando, a violação ainda pode ocorrer para complemento da renda, principalmente depois de tanto tempo longe da escola.

Em vulnerabilidade social, 94% das vítimas do trabalho infantil doméstico são meninas e 73% são negras – no Brasil, há 2,4 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil, sendo 65% meninos – proporção que se inverte totalmente quando se fala em trabalho infantil doméstico e exploração sexual. Mesmo no caso das tarefas domésticas educativas, são as meninas quem mais realizam a atividade – o que propõe um urgente debate sobre gênero.