publicado dia 08/12/2016

Instituto Ethos lança Rede de Empresas pela Aprendizagem e Erradicação do Trabalho Infantil

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“Quando pensamos em criar uma ferramenta de orientação e monitoramento do combate ao trabalho infantil pelas empresas, pensamos que isso só seria possível se houvesse a inclusão de jovens e adolescentes em uma situação protegida de educação e capacitação. Não é simplesmente um desejo, mas a realidade nos impõe tal atitude.”

Na tarde desta quarta (7/12), a fala de Caio Magri, Diretor Executivo do Instituto Ethos, deu início ao lançamento da Rede de Empresas pela Aprendizagem e Erradicação do Trabalho Infantil – uma iniciativa da instituição, que também celebrou no evento a semana de aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Lideranças de empresas que aderiram à Rede, entre elas Coca-Cola, ITAIPU Binacional e Carrefour, declararam publicamente o compromisso com a promoção desta agenda, na intenção de erradicar o trabalho infantil no setor privado e em toda a cadeia produtiva.

Além disso, as empresas levantaram a bandeira da Lei de Aprendizagem, capacitando quem tem mais de 14 anos para o mercado de trabalho, de maneira protegida. Por meio de encontros periódicos, seminários e fóruns, as atividades em grupo pretendem, também, jogar luz sobre as políticas públicas.

imagem mostra quatro pessoas sentadas durante apresentação

Lançamento da Rede de Empresas pela Aprendizagem e Erradicação do Trabalho Infantil / Crédito: divulgação

Debate

Segundo Taís Arruti Lyrio Lisboa, Auditora Fiscal do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, apenas 426 mil adolescentes estão no trabalho legal, entre os 2,6 milhões de crianças e adolescentes que trabalham no país atualmente. Ainda dentro deste total, 80% têm idade que permite a aprendizagem.

“Não se trata de cumprir uma cota, mas de inserir o adolescente e jovem no mercado de trabalho de forma protegida. Se todas as empresas brasileiras cumprissem a Lei da Aprendizagem, teríamos vagas sobrando. É importante enxergar essa responsabilidade social”, sugere Taís.

Por fim, ela propôs uma reflexão: “Ouvimos algumas pessoas dizerem que é melhor trabalhar do que roubar, mas nosso filho está na escola. Só é melhor trabalhar para o pobre? Essas pessoas não têm direito ao estudo. Como vão obter empregabilidade no futuro? A questão da aprendizagem vem como quebra do ciclo da pobreza e exclusão”.

Como funciona

A Carta de Compromisso da Rede está disponível no site do Instituto Ethos. Confira também a lista de empresas e instituições que aderiram a Rede de Empresas pela Aprendizagem e Erradicação do Trabalho Infantil.

Infância e adolescência

Ainda durante a roda de conversa, Mário Volpi, Coordenador do Programa de Cidadania dos Adolescentes do UNICEF, observou que os adolescentes e jovens muitas vezes são esquecidos. Segundo ele, nos últimos dez anos, salvamos mais de 25 mil crianças pela redução da mortalidade infantil. Contudo, no mesmo período, 80 mil adolescentes foram assassinados no Brasil.

“Aquelas crianças que salvamos na primeira década da vida não foram protegidas na segunda. A Lei do Aprendiz é uma estratégia importante de resgate desse grupo que ficou perdido na evolução das políticas públicas. É muito importante observar o desenvolvimento humano como continuidade de ciclos.”

Benefícios para empresas

Renato Mendes, Oficial Encarregado da Organização Internacional do Trabalho (OIT), acrescentou que os frutos colhidos pelas empresas que investem na aprendizagem e no combate ao trabalho infantil não são apenas sociais.

“Para ser competitivo, o mercado brasileiro precisa de mão de obra qualificada. Se o poder público não está conseguindo aproveitar essa janela demográfica, é negocio para a empresa investir nessa geração”, diz Mendes. “Além disso, o jovem que hoje é aprendiz amanhã pode estar entre os principais consumidores”, completa.