publicado dia 14/02/2020

Gravidez na adolescência na periferia de SP é 50 vezes maior do que em bairro nobre

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trabalho infantil no cemitério do araçá no Dia de Finados

Crédito: Tiago Queiroz

As chances de uma adolescente engravidar precocemente no distrito de Marsilac, no extremo sul de São Paulo, são até 50 vezes maiores do que as jovens de até 20 anos em Moema, na zona sul. O dado foi revelado pela segunda edição do Mapa da Desigualdade da Primeira Infância, divulgado na quarta (12). Clique aqui para ver relatório completo.

Em Marsilac, uma em cada cinco crianças nasce de mães adolescentes. Já em Moema o índice é de uma em cada 250 crianças.  Produzido pela Rede Nossa São Paulo em colaboração com a Bernard van Leer Foundation, organização holandesa com foco em primeira infância, o estudo traz índices relacionados ao cenário que os 96 distritos da capital oferecem para crianças de zero até seis anos de idade.

Segundo Carolina La Terza, assessora de projetos da Rede Nossa São Paulo, a gravidez precoce é analisada no estudo, pois afeta diretamente a vida das crianças, aumentando o índice de prematuridade, por exemplo – além de afetar a escolaridade e empregabilidade da mulher.

A gravidez precoce tem relação direta com o trabalho infantil. As meninas que engravidam muitas vezes precisam trabalhar de forma desprotegida para sustentar a família, deixando de estudar.

Outros dados

Outros dados, como pré natal insuficiente, parto cesariano e mortalidade infantil também foram analisados. Em diversos índices, o distrito de Marsilac aparece como mais vulnerável. As chances de uma criança morrer antes do primeiro ano de idade no território são até 23 vezes maiores do que as crianças da mesma idade em Perdizes, na zona oeste.

Em relação ao pré-natal insuficiente, a média em São Paulo é de que 19% das mães fazem menos de sete consultas pré-natal. Apesar disso, há uma desigualdade entre distritos. Em Cachoeirinha, na zona norte da cidade, as chances de não realizar o pré-natal indicado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) são de seis vezes mais.

Já a recomendação da OMS para parto cesariano é de 10% a 15%. Em Paralheiros, o índice é de 37% e no Tatuapé, de 73,9%.

Presente no evento de lançamento, Alexis Vargas, secretário-adjunto da Secretaria de Governo da Prefeitura de São Paulo, disse que os dados são de extrema relevância para o planejamento das políticas públicas, uma vez que revelam as maiores necessidades e desigualdades de cada local, de forma aprofundada.