publicado dia 26/03/2019

Fórum Paulista de Erradicação do Trabalho Infantil fala sobre o papel da escola na garantia de direitos, em lançamento de cartilha

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O Papel da Escola na Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil foi o tema da última reunião do Fórum Paulista de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil – FPPETI, realizada nesta segunda-feira (25), no Ministério Público do Trabalho de São Paulo.

O encontro marcou o lançamento da cartilha Pedra, Papel e Tesoura, lançada pelo Canal Futura e pela Associação Cidade Escola Aprendiz. Parceiros e representantes de órgãos governamentais, de instituições não governamentais e da sociedade civil debaterem o tema, após as palestras de Anna Luiza Calixto, escritora e representante do CONAPETI (Comitê Nacional de Adolescentes pela Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil) e de Vanessa Pipinis, do Canal Futura.

Nas boas vindas, Felipe Tau, gestor da Rede Peteca – projeto da Associação Cidade Escola Aprendiz, membro do Colegiado do Fórum – contou que as oficinas foram realizadas em escolas de São Paulo (SP), Cabo Frio (RJ) e Setubinha (MG), durante os anos de 2017 e 2018. O resultado foi a elaboração de uma cartilha pedagógica. Os alunos também produziram desenhos, que foram transformados em animações.

O Kit

Kit Pedra, Papel e Tesoura vem com material lúdico, pedagógico e informativo sobre trabalho infantil, tendo como objetivo fortalecer e subsidiar o trabalho sobre o tema em escolas, organizações sociais e demais públicos em diversas regiões do país.

Um DVD contém animações produzidas a partir de desenhos dos alunos envolvidos no projeto, a cartinha pedagógica traz textos de referência sobre a temática, glossário sobre trabalho infantil e sugestões de atividades. Já o gibi apresenta as histórias em quadrinhos.

Concepção

Para Vanessa Pipinis, do Canal Futura, o projeto contribui para dar visibilidade ao problema do trabalho infantil. “Queremos fazer com que a sociedade reconheça o problema. Assim como na questão do trabalho infantil, estamos envolvidos no enfrentamento à exploração sexual“, conta Vanessa.

Ainda de acordo com ela, o objetivo da cartilha é fortalecer e subsidiar o debate sobre o desenvolvimento da infância e as violações de seus direitos. “Precisamos desnaturalizar o trabalho infantil e sempre promover a perspectiva dos direitos.”

Paulo Bucci, educador de todas as oficinas, também estava no evento. Ele conta que muitas vezes as crianças trabalham, mas não sabem que estão sofrendo uma violação. “Os encontros ampliaram a visão delas sobre direitos, de uma forma sensível.”

Reflexão

Representando a voz da criança, do adolescente e do jovem, Anna Luiza Calixto, de 18 anos, ressalta a importância da participação do público infantojuvenil no processo de garantia de direitos.

“Somos os autores de nossas próprias histórias e sujeitos de direitos, o que nos tira automaticamente do estado muitas vezes concebido à infância de ‘futuro de uma nação que nos espera crescer para compreender o peso de nossas vozes'”, diz.

Além disso, Anna Luiza cita a importância de envolver a escola como peça fundamental da rede protetiva e acima de tudo aproximar ambas. “A escola é um núcleo de aprendizado e referência para nossas crianças e adolescentes. É o primeiro lugar citado nas conversas de restabelecimento de direitos, porque estudar é um direito fundamental.”