publicado dia 28/08/2020

Crianças invisíveis: Livro propõe debate sobre trabalho infantil nas ruas e racismo no Brasil

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A procuradora do trabalho do Ministério Público do Trabalho de São Paulo (MPT-SP), Elisiane Santos, lança o livro Crianças Invisíveis, na Festa Literária Internacional de São Sebastião (FLISS), no sábado, dia 29. Pré-lançada no último dia 24 pela Editora Diálogo Freiriano, a obra propõe um debate sobre trabalho infantil nas ruas e racismo no Brasil.

A publicação é também fruto da dissertação de mestrado de Elisiane, defendida em 2017, na Universidade de São Paulo (USP), intitulada “Trabalho infantil nas ruas, pobreza e discriminação: crianças invisíveis nos faróis da cidade de São Paulo”.

Listado entre as 93 atividades consideradas como as piores formas de trabalho infantil, o trabalho de crianças e adolescentes nas ruas é uma das atividades mais perversas, persistentes e invisíveis na cidade de São Paulo e outras cidades brasileiras.

O comércio de produtos e as rápidas performances com malabares nos faróis de vias movimentadas são as principais atividades exercidas na cidade ao longo das últimas décadas. Esse tipo de trabalho não aparece nos dados sobre trabalho infantil e há dificuldade na inserção desses meninos e meninas nas políticas de enfrentamento e prevenção.

Em vídeo sobre o livro, Elisiane lembra que o Brasil, desde a colonização, explorou o trabalho de crianças. “Eu comecei a pesquisa buscando a cultura do trabalho infantil e eu encontrei o racismo. O racismo está diretamente ligado ao trabalho nas ruas e isso está inserido na história da infância negra brasileira, que é uma história apagada, como tantas outras histórias da população negra. A história da infância negra no Brasil é uma história de trabalho, violência e opressão, que começa no período da escravização, que se modifica em relação a vínculos e formas a partir da abolição formal desse sistema na legislação em 1888, mas que se desdobra nas ruas e se reproduz até os dias atuais”, disse.

Confira: