ONG incentiva desenvolvimento integral de adolescentes por meio do ensino profissionalizante

por

Publicado dia 20/12/2017

Conheça o trabalho da Fundação Iochpe na formação de jovens em situação de vulnerabilidade social


Em 1989, uma empresa do setor de autopeças e equipamentos ferroviários – preocupada em qualificar mão de obra de suas fábricas e ao mesmo tempo fomentar a inclusão social nas comunidades ao redor – começou a desenvolver programas nas áreas de ensino profissional e arte-educação com foco no atendimento a crianças e adolescentes.

Nascia então a Fundação Iochpe e junto com ela o Programa Formare, voltado para a formação de jovens em situação de vulnerabilidade social por meio de parcerias com entidades públicas e privadas.

A iniciativa deu tão certo que ganhou uma metodologia própria e hoje o programa conta com um modelos social e de aprendizagem replicados para outras instituições.

Conseguimos fechar todas as pontas: o jovem sai preparado para o mercado de trabalho, os colaboradores desenvolvem habilidades adicionais e as empresas formam profissionais de qualidade com responsabilidade social”, diz Claudio Anjos, diretor executivo da Fundação Iochpe.

Turma de jovens aprendizes da Eaton (Valinhos, SP). Crédito: Divulgação

Turma de jovens aprendizes da Eaton (Valinhos, SP). Crédito: Divulgação

Empresa como ambiente de aprendizagem

Para participar do programa o jovem precisa estar cursando o ensino médio em escola pública e ter renda familiar de até um salário mínimo. Após uma entrevista prévia, a seleção é feita em conjunto com a empresa parceira.

“Nós identificamos empresas que querem trabalhar com inclusão social e conversamos com os jovens para identificar de onde vem a vontade de fazer a diferença. A partir daí, desenvolvemos o material com base nos conhecimentos e competências necessárias para a formação dentro da empresa”, conta Claudio.

O material para capacitação é certificado pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná e os conteúdos variam de acordo com área de atuação da empresa parceira. As aulas são ministradas pelos próprios funcionários, que atuam como voluntários, e o processo de 11 meses é regido por três princípios básicos: tornar a empresa o ambiente de aprendizagem no contraturno escolar; utilizar os funcionários da companhia como educadores; e proporcionar um alto índice de empregabilidade para os jovens participantes.

Turma de jovens aprendizes da Duratex, em Botucatu (SP). Crédito: Divulgação

Turma de jovens aprendizes da Duratex, em Botucatu (SP). Crédito: Divulgação

“Desenhamos uma solução para que além da certificação profissional, o jovem tenha uma oportunidade de aprendizado e rede de contatos que talvez não conseguisse em outra circunstância”, acredita o diretor.

Durante o programa, o jovem ainda recebe uma bolsa auxílio correspondente a meio salário mínimo, mais benefícios, para garantir a permanência no projeto. “A sustentabilidade financeira é um dos motivos que fazem o jovem abandonar a escola e, com o incentivo, nosso índice de evasão é praticamente zero”, explica Claudio.

Cenário brasileiro

No primeiro trimestre deste ano, o desemprego no Brasil bateu o recorde histórico de 13,7%, atingindo 14,1 milhões de brasileiros, de acordo com o IBGE. Desse total, 5,7 milhões eram jovens de 14 a 24 anos, muitas vezes fora da escola, que poderiam estar trabalhando protegidos pela Lei do Aprendiz.

Apesar de ser considerada pelos especialistas uma das melhores formas de combater o trabalho infantil e a evasão escolar, a política segue com dificuldade de ser difundida no país.

O que diz a Lei

A Lei nº 10.097 estabelece que toda média e grande empresa do país tem a obrigação de cumprir uma cota de aprendizagem que varia de 5% a 15% de seu quadro de pessoal, em atividades compatíveis com formação profissional. A Constituição Federal proíbe qualquer forma de trabalho até os 14 anos e a condição de aprendiz é a única maneira de contratar adolescentes a partir dessa idade.

Para Claudio, um dos grandes desafios passa pela falta de cultura das empresas e até por uma visão equivocada de que a contratação de aprendizes resulta em despesas e não em investimento. “É possível economizar em custos com formação de colaboradores e contratação de pessoal, além do fator inovação que a medida agrega na companhia”.

Turma de jovens aprendizes da International Paper. Crédito: Divulgação

Turma de jovens aprendizes da International Paper. Crédito: Divulgação

O diretor ressalta que o maior retorno para as instituições vai além dos números, mas que é preciso mais sensibilização dos líderes para garantir o aumento de jovens aprendizes no país.

“Se todos soubessem o valor desses jovens, conseguiríamos quebrar as barreiras que ainda existem nesse tipo de iniciativa dentro das instituições. A responsabilidade pelo desenvolvimento e proteção de nossas crianças e adolescentes é de toda a sociedade e as empresas fazem parte disso”, conclui.

Formare em números

●     29 anos de atividades

●     43 empresas parceiras

●     65 unidades de ensino

●     170 diferentes cursos desenvolvidos

●     12 estados e 58 municípios no Brasil

●     Presença internacional no México

●     5 mil educadores voluntários/ano

●     19.600 jovens formados

●     80% de inserção no mercado de trabalho