Educação além dos muros: alunos levam para a comunidade o debate sobre trabalho infantil

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Publicado dia 09/05/2017

Por Gabriela Rodrigues

O que é a escola para você? Um espaço de reflexão e aprendizado? E esse aprendizado, ele se limita à sala de aula ou ultrapassa as barreiras físicas?

Para a professora Débora Garofalo, que recentemente promoveu uma palestra sobre trabalho infantil na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Almirante Ary Parreiras, localizada na Vila Babilônia, Zona Sul de São Paulo, aprender significa envolver diversas ferramentas no processo educacional. Entre elas, trazer a comunidade para o dia a dia escolar.

Para ampliar o debate feito em sala de aula sobre a exploração infantil, a professora propôs uma atividade diferente aos alunos. Na última segunda-feira (8/5), 28 meninos e meninas do 5º ano saíram às ruas do bairro para conscientizar mais pessoas sobre o tema.

Com panfletos que foram feitos nas aulas propostas por Débora, a turma entre 10 e 11 anos conversou com os moradores e comerciantes locais no intuito de apresentar as características e os malefícios do trabalho infantil.

Crédito: Débora Garofalo

Crédito: Débora Garofalo

Mobilizar e conscientizar

Além de alertar a comunidade sobre a gravidade do trabalho precoce, a aula teve por objetivo treinar a comunicação e a capacidade de reflexão dos estudantes. Naquela manhã, eles se tornaram professores. Fizeram um tema tão importante chegar aos ouvidos de muitos que nunca tinham ouvido falar a respeito.

Eu percebi que existe uma carência de informação para as pessoas da comunidade. Muitas não sabem o que é a exploração de crianças e adolescentes. Outros não entendem que o trabalho infantil está presente, por exemplo, quando a criança assume a responsabilidade da casa”, conta Débora.

O trajeto escolhido foi feito em 45 minutos, e o resultado foi mais do que positivo: as crianças se sentiram porta-vozes de um assunto urgente. Para Débora, o mais interessante foi ver algumas delas querendo passar por perto das suas casas para falar com os vizinhos mais próximos. “A atividade foi extremamente importante para as crianças. Elas se sentiram contribuindo com a causa. Até um pai nos acompanhou”, conta Débora.

Aprendendo com a cidade

Crédito: Débora Garofalo

Crédito: Débora Garofalo

Débora acredita na importância de incluir os direitos humanos na educação. Para ela, faz parte do currículo oferecer um plano pedagógico no qual os alunos saiam da escola e tenham uma nova experiência, prática importante na vivência escolar.

Agora, o próximo passo é levar as turmas da escola que ainda não foram às ruas. “Vamos escolher outros trajetos para alcançar mais pessoas. Porém, o nosso objetivo continua o mesmo: conscientizar sobre a realidade de muitas crianças e jovens que estão sendo explorados na medida em que perdem a experiência de uma infância e uma adolescência saudável”, finaliza Débora.