publicado dia 04/08/2017

Quer preparar uma aula sobre trabalho infantil? Saiba como!

por Propercio Rezende

“Agora todo mundo tem opinião.” A frase, do escritor Menalton Braff, é o título de uma crônica na Revista Carta Capital, e foi publicada em 2015. E é mais atual do que nunca. Nestes tempos de internet, redes sociais infinitas e milhares de opiniões circulando, a escola deve buscar ser um diferencial, afinal, se ela oferecer o mesmo que as redes sociais, não é difícil imaginar o que as crianças e jovens vão priorizar…

Com este “gancho”, começamos nosso segundo texto sobre Escola e Trabalho Infantil. Na coluna passada, publicada aqui na Rede Peteca, falamos de muitas coisas que a escola pode fazer. Nesta, vamos falar daquilo que, numa lógica mais tradicional, seria o primeiro passo: a escola pode (e deve) informar.

Claro que também há informação nos meios de comunicação, nas redes sociais, na internet. Porém, temos de refletir:

  • Nossos estudantes sabem “separar o joio do trigo?”
  • Possuem condições de analisar as informações que recebem e perceber o que é opinião, o que é informação, o que é conhecimento?

Acredito que o professor, e a escola como um todo, tem um papel fundamental nesta questão. Em todos os assuntos, e também, claro, no tema do trabalho infantil no Brasil.

Informar é fundamental, e não precisa ser, como pode estar pensando o leitor neste momento, uma coisa chata. Vamos abordar dois aspectos: o “o que” e o “como”.

Algumas correntes da pedagogia parecem, numa leitura mais superficial, menosprezar as práticas educativas mais antigas, do tempo em que transmitir informação era quase o único papel da escola.

Precisamos ter cuidado com isso. Transmitir informação continua sendo algo importante. Talvez o que temos que ter em mente é que a forma de transmitir informação é que deve ser repensada, além, é claro, do papel da escola nunca se resumir somente a esta transmissão.

Repetindo uma frase já batida, “o olhar define a ação”, ou seja, como você vê as crianças ou adolescentes de sua sala (no caso dos professores), será fundamental para determinar a sua ação.

Crédito: Shutterstock

Crédito: Shutterstock

Importante: veja melhor! Busque um olhar mais aprofundado sobre a turma, e sobre cada estudante. Analise mais. Preste atenção nos detalhes que mostram quem é o “seu público alvo”:

  • Eles se distraem rapidamente? Então faça explanações curtas.
  • Conversam muito? Intercale pequenos momentos de cochicho (conversas em duplas), entre os momentos de explanação.
  • Gostam de futebol? Traga, para as suas falas, exemplos de exploração do trabalho infantil no esporte.

Os exemplos são infinitos. A ideia básica é que importa: uma aula expositiva deve ser leve, divertida, com uma linguagem próxima da turma. Usar recursos de apoio é uma ótima estratégia.

Pequenos cartazes, com fotos marcantes, por exemplo, que são colocados na lousa para ilustrar cada item da sua fala. Gráficos. Trechos de músicas conhecidas pela turma… Opa… Você não sabe de que tipo de música sua turma gosta? Pergunte!

Pense sempre que a aula expositiva deve ser, sempre, alicerçada em um diálogo. Nunca vai funcionar você falar sessenta minutos seguidos (talvez nem vinte), sem deixar ninguém participar, ou sem intercalar perguntas, pequenos diálogos, opiniões dos estudantes.

Dicas importantes

Outras dicas podem ajudar: primeiro ter em mente que a aula expositiva não serve para “encerrar um assunto”, mas para introduzi-lo. Desta forma ela deve sempre ser breve, e deixar um gostinho de quero mais, ou seja, deve servir como uma provocação, como um disparador para outras ações. É muito conhecida a teoria de que a pessoas memorizam muito mais aquilo que fazem, ou falam, do que o que ouvem. Na aula expositiva, o professor conduz a discussão, porém, nunca ele será o único a falar.

Por fim: temos de ter coragem. Sim! Coragem! Para se abrir. Respire fundo. Coloque seus valores absolutos de lado e termine sua aula expositiva perguntando: vocês gostaram desta aula? O eu vocês acham que deveria melhorar?

Outra opção é fazer a avaliação da aula por escrito. Desta forma, tanto os estudantes ficam mais a vontade para expor suas ideias, sugestões e críticas, como você, professor, corre menos o risco de se sentir acanhado por se criticado pela turma. O exercício de a turma avaliar o professor será transformador!

Acredite. Afinal, você quer educar, não é mesmo? E quando os dois lados são ouvidos, podem se expor, sugerir, criticar, a educação se dá em um nível muito mais eficiente. Isso, certamente, não diminuirá em nada o valor do professor no processo educativo.

Para ajudar a preparar sua aula sobre trabalho infantil, pesquise aspectos básicos em sites com informações seguras. Aqui, na Rede Peteca, um ótimo começo é a seção Trabalho Infantil. Nela você encontrará as principais informações sobre o tema, de maneira reduzida e adequada.

Espero que você tenha gostado deste texto. Vamos avaliá-lo? Nos envie suas sugestões, críticas, experiências, assuntos que gostaria de ver nas próximas seções pelo e-mail debatesobretrabalhoinfantil@gmail.com e no Facebook da Rede Peteca. Um abraço e até o próximo texto.