publicado dia 01/08/2018

Trabalho infantil no campo atingiu quase 600 mil crianças e adolescentes em 2017

por Antonio de Oliveira Lima

O Censo Agropecuário constatou que 587,8 mil crianças e adolescentes com menos de 14 anos de idade estavam ocupados no setor agropecuário brasileiro em setembro de 2017. Desse total, 231.828 casos de trabalho infantil no campo estavam no Nordeste (39,44%). Porém, quando se compara o número de trabalhadores infantis com o total de trabalhadores do setor, o percentual constatado na região (3,6%) ficou abaixo da média nacional (3,9%).

ebc trabalho infantil no campo

Sob esse aspecto, os maiores índices foram verificados nas regiões Norte (8,6%) e Centro-0este (4,5%). Os dados foram divulgados nesta terça-feira (31/7), pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Em relação aos estados, os maiores contingentes de trabalhadores infantis agropecuários foram verificados no Pará (81.254) e na Bahia (70.799), porém o maior percentual de trabalho infantil no campo foi constatado no estado de Roraima, onde 12,7% dos trabalhadores agropecuários têm idade inferior a 14 anos. O segundo maior percentual foi do estado do Amazonas (11,4%), também na região Norte.

Parentesco

Um outro indicador apontado pela pesquisa foi o parentesco das crianças e adolescentes ocupadas em relação ao produtor rural que usa sua força de trabalho. Do total de crianças e adolescentes (com menos de 14 anos) ocupados no setor agropecuário brasileiro (587.805), 86,3% têm relação de parentesco com o produtor, segundo a pesquisa.

 

Quanto menor o índice de relação de parentesco entre a criança e o produtor agropecuário, maior é o percentual de crianças e adolescentes ocupadas em estabelecimentos de terceiros

 

O maior índice de relação de parentesco foi verificado na Região Norte (90,8%) e o menor índice no Sudeste (70,2%). Em relação aos estados, o maior índice foi constatado em Roraima (95,5%) e o menor em São Paulo (40,3%).

É importante destacar, porém, que quanto menor o índice de relação de parentesco entre a criança e o produtor agropecuário, maior é o percentual de crianças e adolescentes ocupadas em estabelecimentos de terceiros, isto é, sem relação de parentesco com o produtor.

Sob esse ponto de vista, São Paulo apresenta o pior índice do país, haja vista que, de cada 10 crianças e adolescentes (menores de 14 anos) que trabalham em estabelecimentos agropecuários paulistas, pelo menos seis são explorados por terceiros.

Gênero

Quando se analisa a questão de gênero e a relação de parentesco com o produtor agropecuário, percebe-se que em ambos os casos existem mais meninos do que meninas envolvidos no trabalho infantil no campo, porém a diferença de percentual é maior relação aos que não têm vínculo de parentesco com o dono do negócio.

Neste sentido, a pesquisa aponta que entre as crianças e adolescentes trabalhadores, parentes do respectivo produtor agropecuário, 53,1% são meninos e 46,9 são meninas. No tocante aos que não tem vínculo de parentesco o percentual de meninos é de 73,6%, contra 26,4% de meninas.